Origem da Teoria das Restrições
Os fundamentos do que hoje é a Teoria das Restrições (TOC), surgiram nos anos 70, quando o estudante de física, Eliyahu Goldratt, envolveu-se com os problemas da logística de produção, desenvolvendo uma formulação matemática para o planejamento de uma fábrica que produzia gaiolas para aves.
A formulação elaborada foi um sucesso, tanto que outras empresas se interessaram em aprender a técnica. Goldratt então se dedicou a elaborar mais o seu método e a disseminá-lo através da venda do software OPT (Optimized Production Technology) por sua empresa, Creative Output Inc.
O Software foi alterado e aperfeiçoado a partir das experiências vividas em suas implementações, em diversos países. “Goldratt percebeu que cada descoberta de um problema e sua respectiva solução estavam embasadas em princípios específicos. Estes eram lógicos e quase óbvios, mas o pensamento tradicional de encarar os problemas de uma empresa os ignorava”. Este aperfeiçoamento contínuo serviu de base para a concepção dos princípios da tecnologia da produção otimizada (OPT).
Para difusão de seu método de produção, além de palestras nas Universidades do EUA e Europa, em 1984, Goldratt escreveu juntamente com Jeff Cox o livro “A Meta”, que apresenta em forma de romance as dificuldades de um gerente de fábrica em administrar sua empresa. No desenvolver da história, o gerente vai descobrindo um a um os princípios para o processo de aprimoramento contínuo e a empresa recupera sua competitividade.
Segundo Goldratt, “Quando escrevi A META, tentei focar a necessidade de mudar o paradigma que governa as empresas. Eu sabia que este era o maior obstáculo que impedia a conquista de desempenhos bem maiores. Para mostrar isso no livro, eu minimizei a importância de um software de programação. Não que eu o achasse desnecessário, ao contrário, eu estava convicto de que o nosso software, ou uma variação dele, seria imprescindível para a maioria das empresas.”
O livro que foi um sucesso, criticava severamente os métodos de administração e contabilidade tradicionais. Diversas empresas incentivaram seus executivos a lerem o livro e a aplicarem os princípios apresentados.
Mas, Goldratt estava frustrado, pois “A maioria dos leitores de A META concordavam com a sua mensagem, ao ponto de chamá-la de “bom senso”. Entretanto, eles não a implementavam. Continuavam a ignorar as restrições, a tentar melhorar tudo aquilo que sabiam como melhorar, a justificar investimentos e a tomar todo o tipo de decisões com base no custo do produto… Isso continuou sendo feito até em empresas onde o presidente tinha transformado A META em leitura obrigatória. Por quê? Porque, se aparentemente todos concordavam com o que foi escrito no livro, somente algumas poucas empresas estavam de fato implementando-o. Era óbvio que algo estava faltando.”
Para corrigir este problema, foi lançado em 1986 o livro “The Race” ,um complemento técnico de “A Meta”, que abordava como implantar as melhorias propostas nas empresas.
Mesmo assim, “As empresas que implementavam a logística de produção de Goldratt melhoravam tão significativamente a produção que problemas começavam a aparecer em outras áreas da empresa. Goldratt elaborou soluções para outras áreas das empresas, como logística de distribuição e gerenciamento de projetos. Porém, ele sabia que as empresas precisavam de algo mais fundamental do que apenas soluções prontas; toda vez que uma empresa aplicava as soluções que ele tinha criado dava um salto em competitividade, mas depois estagnava.”
Atento à situação, Goldratt, primeiro, definiu de forma clara os cinco passos para o processo de aprimoramento contínuo e os inseriu ordenadamente na segunda e expandida edição de “A Meta”; pois segundo o autor, “…quando escrevi A META eu desconhecia os Cinco Passos para o aprimoramento contínuo. Isso resultou que as ações de identificar, explorar, subordinar e elevar a restrição estavam confusas e, portanto, difíceis de se tornarem procedimentos práticos.” A esta altura, motivado pelas suas descobertas e abrangência de utilização, denominou este processo de Teoria das Restrições (TOC – Theory of Constraints).
Em uma segunda etapa, Goldratt iniciou o desenvolvimento dos processo genéricos de raciocínio, que tinham como objetivo:
- “Identificar rapidamente a política errônea básica – a restrição não-física;
- Construir novas políticas que não acarretassem novos problemas;
- Construir planos praticáveis de implementação não vulneráveis às resistências a mudanças.”
Os resultados foram apresentados em 1994 com o livro “Mais Que Sorte…um Processo de Raciocínio”, na forma de continuação de seu livro anterior, focando a história de problemas estratégicos e marketing das empresas, utilizando então os Processos de Raciocínio para resolvê-los.
Como este livro não atingiu o mesmo sucesso do livro “A Meta” (que tem sido o maior divulgador da teoria), a TOC ainda é considerada como apenas aplicável à produção e logística. Os Processos de Raciocínio não foram suficientemente assimilados e divulgados, gerando assim uma percepção desfocada da teoria.
Em 1997, visando a reversão desta imagem, Goldratt lança o livro “Corrente Crítica”, no qual continua utilizando a forma de romance, onde os personagens no decorrer da enredo descobrem os princípios da TOC para o gerenciamento de projetos.
Fonte: FASSBINDER, J. A., Teoria das Restrições: estudo da utilização da contabilidade de ganhos no processo de administração de marketing. Brasil/Argentina, Tese de mestrado, Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales, 1999.