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Dom, 28 de Fevereiro de 2010 18:00

Síndrome profissional de Peter Pan

No decorrer dos anos conheci “profissionais” que sofrem do que denominei de “Síndrome Profissional de Peter Pan“* .

 

São crianças em corpos de adultos que não cresceram para assim evitar as responsabilidades do seu cargo ou profissão. Apesar de inteligentes e capazes levam tudo na brincadeira (vivem como autistas no seu próprio mundo), não assumindo compromissos, não cumprindo prazos e mais tantos outros adjetivos precedidos da palavra “não”.

 

O que fazer? Se formos os ouvir sempre se acham injustiçados e perseguidos, apesar das repetidas “chances” e “prazos para se organizar” que volta e meia são lhe disponibilizados.

 

Insistem em desperdiçar seu talento, as oportunidades, sua energia em futilidades e desenvolver sua “hábil incompetência” e focar em “trabalhos faz de conta”, tornando-se verdadeiros craques em desculpas e explicações .

 

Nunca são os responsáveis diretos: são sempre os outros, ou o material que não foi disponibilizado em tempo hábil, ou que falta isso ou aquilo, o tempo (chove de mais ou faz sol demais) , os colegas, o horóscopo, o time de futebol que não ganha, a esposa, o carro o filho e mais um zilhão de outras desculpas.

 

Fora as raras vezes que desenvolvem verdadeiras “obras-primas”, mostrando do que são capazes, na média apresentam seus trabalhos medíocres feitos em cima da hora (como nos tempos de colégio quando o tema era feito 5 minutos antes do início da aula, para não se perder nota!), só para “cumprir tabela”, achando que ninguém vai perceber isso.

 

Outra qualidade ignorada por esses “Peter´s Pan” é a organização de seus compromissos e obrigações. Sentem muito falta de uma “Wendy ” – alguém de sua idade que pudesse substituir sua mãe – , para todo dia estar lhe avisando o que deve ser feito, qual o prazo, qual a urgência, etc…

 

Nas empresas os colegas e amigos até fazem esse papel por um tempo, mas quando percebem que isso os atrapalha e prejudica (aliado ao fato de perceberem que não há esforço nenhum de nosso “Peter Pan” em tornar-se adulto e responsável), largam-o de mão e o deixam a sua própria sorte.

 

Nosso profissional torna-se um herói do “se”: se fosse pontual, se fosse dedicado, se fosse organizado. Por fim, quando finalmente é excluído de um projeto ou de uma empresa, todos ficam se perguntando por que a empresa não tomou essa atitude antes!

 

Logicamente, que nosso “Peter Pan” vai se sentir perseguido, injustiçado e chorar suas mágoas na companhia de alguma “Sininho” disposta a ouvir suas lamentações, comportando-se como se houve sido derrotado impiedosamente pela empresa ou chefe que representam o “Capitão Gancho” da vez.

 

O que mais me intriga nesses “profissionais” é a teimosia de viver na “Terra do Nunca”: nunca tentar mudar, nunca aproveitar as chances, nunca conduzir dignamente sua carreira profissional e nunca explorar seu real potencial…

* A Síndrome de Peter Pan é um termo psiquiátrico usado para descrever um adulto que receia os comprometimentos e/ou se recusa a agir conforme a sua idade.

 

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